Ao que tudo indica, não será ainda este ano que o Senado dos Estados Unidos da América (EUA) vai aprovar uma lei para o clima e para a energia que, entre outros objectivos, defina a estratégia norte-americana para a promoção das renováveis, eficiência nos edifícios e a redução de emissões de gases com efeito de estufa : a juntar à forte divisão de opiniões sobre o assunto estão as novas prioridades no âmbito da energia levantadas pelo desastre do derrame de petróleo no Golfo do México e o calendário político, com o aproximar das eleições para o Congresso, em Novembro. Os democratas temem perder a sua maioria quer no Senado, quer na Câmara dos Representantes, o que torna pouco provável que, até ao final do ano, venha a ser debatida a aprovação de uma lei tão polémica quanto esta.
No final de Julho, o democrata Harry Reid, representante do Nevada e líder da maioria no Senado, anunciou que o Senado não iria passar o American Power Act (APA), elaborado pelos senadores Kerry e Lieberman, nesta temporada política por falta de apoios. Nos dias que se seguiram a este anúncio, Reid ainda apresentou como alternativa uma proposta menos exigente que se centrava em reformas para a exploração petrolífera offshore, com especial atenção ao desastre do derrame de petróleo no Golfo do México, mas que também pretendia apostar na eficiência energética. Todavia, isto não foi suficiente para convencer a oposição e Reid apelou a que a proposta fosse votada quando o Senado regressasse da sua pausa em Agosto, depois de os republicanos afirmarem que precisavam de mais tempo para analisar a proposta.
A lei para o clima e para a energia é um tema polémico que divide não só republicanos e democratas, mas que chega mesmo a causar discórdia entre estes últimos. A definição de um limite de emissões e a introdução de um sistema de "cap and trade" - no qual cada empresa tem de comprar créditos de permissão de níveis de emissões de dióxido de carbono e que podem ser comercializados num mercado regulado - têm sido as principais divergências entre democratas e republicanos. As vozes críticas afirmam que esta legislação viria a introduzir uma "taxa energética nacional", o que significaria mais despesas na factura energética dos consumidores e das empresas norte-americanos, colocando postos de trabalho em perigo.
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