Tema de capa
Ar condicionado - Mercado cai 10% em todo o mundo em
2009
As estimativas do ano anterior confirmam-se: o mercado mundial
do ar condicionado aguentou-se em 2008 mas em 2009 caiu 10%. Na
Europa a derrapagem foi bastante pior e o mercado desceu
globalmente 25% em termos de valor. Por cá e depois de uma queda de
20% em 2008, a derrapagem em 2009 terá sido menor: 7%. Conheça os
estudos, as previsões, o que pensam as principais marcas das
tendências para o ano de 2010.
A nossa revista cruzou alguns estudos recentemente apresentados
sobre o mercado do ar condicionado. A crise mundial não foi
imediatamente visível em 2008, altura em que o mercado ainda
conseguiu subir cerca de 2,5% contra as expectativas de 10%
anteriores à queda dos mercados financeiros. Mas, em 2009, a
factura já foi bem mais pesada. De acordo com os estudos que
analisámos, onde os valores são muito próximos, a crise económica
mundial teve um impacto enorme nas tendências de crescimento que se
perspectivavam para os anos seguintes.
O mercado do ar condicionado não caiu no encarnado em 2008 mas
no ano de 2009 confirmou a linha descendente que se estava a
traçar. A nível mundial, 2009 teve uma quebra de cerca de 10% em
relação ao ano anterior. O volume de negócios de 2008 (71 mil
milhões de dólares) recuou para os 63 mil milhões de dólares em
termos de valor em 2009, segundo os dados apontados pela BSRIA.
Ainda de acordo com estes especialistas, é de esperar que o mercado
sofra uma recuperação lenta em 2010 com uma taxa de crescimento
prevista de cerca de 5% em termos de valor. Já segundo o estudo da
Freedonia Group Inc, a procura poderá crescer perto dos 6% por ano
até 2014, altura em que o mercado estará perto dos 94 mil milhões
de dólares.
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Solar Térmico
Governo continua a apoiar o Solar Térmico
De uma forma completamente inesperada, o Governo recorre ao QREN
e avança com mais apoios ao solar térmico (ST). Com o objectivo de
apoiar as PME´s, vão ser disponibilizados 9,5 milhões de euros para
a instalação do ST. Com as candidaturas a fecharem em finais de
Agosto, "o timing não podia ser pior, mas há que aproveitar", diz a
Apisolar. Seguem-se 50 milhões para as entidades privadas sem fins
lucrativos. Uma aposta muito positiva num contexto menos favorável
onde a Yunit, gestora da MST, não recebe do Estado desde Fevereiro,
o que compromete a liquidez das empresas para os investimentos
necessários.
Durante o ano de 2009, o mercado solar térmico português foi um
dos que mais cresceu a nível europeu, referem dados da ESTIF,
registando uma subida de 102,8%. A principal razão para este
crescimento foi, claro, a Medida Solar Térmico (MST). Segundo os
dados da Apisolar, podemos ter alcançado os 200 mil m2
de colectores solares instalados (ver gráficos), mais do dobro em
relação a 2008 (86 mil). A gestão continua na antiga Pmelink e
agora Yunit num contexto bastante complicado uma vez que as dívidas
do Estado a este gestor do sistema avolumam-se desde Fevereiro, o
que significa que as empresas estão com sérios problemas ao nível
das cobranças e liquidez para fazer face aos investimentos
necessários. É que durante este primeiro semestre de 2010 continuam
as instalações referentes a encomendas de 2009 no âmbito da MST
(particulares, Instituições Particulares de Solidariedade Social -
IPSS e Associações Desportivas de Utilidade Pública). Previa-se a
continuação da MST cujo fim abrupto tem trazido várias preocupações
e incertezas à indústria. Mas quando já estavam desfeitas as
esperanças do regresso da Medida Solar Térmico em 2010 e apesar da
conjuntura económica desfavorável, o Governo veio inesperadamente
dar um balão de oxigénio ao mercado com o lançamento de um projecto
de incentivo à instalação de solar térmico nas PMEs (Pequenas e
Médias Empresas) no âmbito do QREN (Quadro de Referência
Estratégico Nacional). O programa contempla a instalação de
sistemas solares térmicos para aquecimento de águas quentes
sanitárias (AQS) ou climatização e ainda investimentos relacionados
com a envolvente passiva. Com um orçamento total de 9,5 milhões de
euros - um valor muito inferior aos 95 milhões da MST2009 -, o
programa vai financiar de 40 a 45% dos projectos seleccionados,
sendo que só poderão apresentar-se candidaturas cujas despesas se
situem entre os 10 mil e os 500 mil euros (não são elegíveis as
despesas com construção e mão-de-obra).
Aparentemente a notícia é bastante boa: mais incentivos ao solar
embora o contexto seja um problema. Para a APISOLAR, "temos que
aproveitar mas este timing não podia ser pior!". Rafael Ribas
Vice-Presidente explica que "fomos apanhados desprevenidos num
momento em que ainda estamos a dar resposta à MST e vai ser uma
corrida para conseguirmos dar resposta em tempo útil".
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Entrevista
"Há uma metodologia de cálculo que é muito
complexa"
Carlos Soares fala-nos da actividade de projecto no âmbito dos
novos desafios e da actual regulamentação térmica (RT). Para este
especialista era importante que na revisão da RT houvesse a
consciência de que a complexidade das exigências "traduzem-se
muitas vezes em componentes que não têm uma expressão muito
significativa em termos de resultado final da certificação
energética. As metodologias são baseadas em cálculos demasiado
exaustivos e o detalhe que muitas vezes é exigido não reverte a
favor do benefício final".
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Europa
França: Edifícios com energia positiva
Se, até aqui, a regulamentação francesa para os edifícios não
foi das mais apertadas da Europa, em breve a situação vai mudar: a
partir de 2012, os novos edifícios vão ter de apresentar baixos
consumos, no máximo 50kWh/m2/ano. Para 2020, a mudança é
ainda maior e, para além de edifícios de baixo consumo, terão
também de ser BEPOS- Bâtiments à Energie Positive, ou seja, deverão
produzir mais do que consomem.
A França tem-se mostrado um país atento às questões energéticas
e ambientais e, por isso, rapidamente se apercebeu que o sector dos
edifícios é um sector decisivo onde actuar, representando 43% do
consumo energético do país e produzindo, por ano, emissões de mais
de 120 milhões de toneladas de gases com efeito de estufa. A forma
como a Directiva Europeia para o Desempenho Energético dos
Edifícios (EPBD) tem sido aplicada em França é difícil de isolar,
já que está dispersa por vários documentos legais, e é em certos
aspectos surpreendente. Isto porque, até aqui, as suas imposições
não são extraordinariamente ambiciosas, mas fazem parte de uma
estratégia arrojada e que vai, num futuro muito próximo, superar os
objectivos definidos pela própria revisão da Directiva Europeia.
Exemplo disso é o facto de a regulamentação francesa, neste
momento, não contemplar qualquer obrigatoriedade a nível do uso de
renováveis, mas, simplesmente, incentivá-las através de estudos de
viabilidade e da atribuição de determinadas etiquetas
energéticas.
Durante este ano, está a ser feita uma revisão da regulamentação
térmica (Réglementation Thermique 2012 - RT) que vai obrigar a uma
redução significativa do consumo médio de energia primária, que
passará a ter o valor máximo de 50 kWh/m2/ano para fins
de aquecimento, AQS, ventilação, climatização e iluminação, já que
na actual RT ainda em vigor, RT2005, esse valor varia entre os 80 e
os 250 kWh/m2/ano.
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