O ano de 2009 veio consolidar uma viragem que já se tinha dado no mercado do aquecimento no ano anterior. Num ano de 2008 caracterizado pela queda das vendas dos equipamentos de aquecimento convencionais em 15%, as bombas de calor (ar/ água) e as caldeiras de condensação no mercado da reabilitação começaram a ganhar expressão em toda a Europa. Uma tendência que se prevê acentuada em 2009 também pelo enquadramento de um novo quadro legislativo em toda a Europa que incentiva o uso de soluções eficientes de energia e de origem renovável.
Numa conjuntura amiga do ambiente, os equipamentos de aquecimento e ar condicionado estão a passar por aperfeiçoamentos tecnológicos enormes. Uma forma de responder a um novo desafio onde a maioria dos tradicionais equipamentos de aquecimento que durante décadas alimentaram o conforto nos edifícios em toda a Europa já não têm lugar. As metas de redução de emissões de gases com efeito de estufa e a dependência das importações de petróleo e gás, levaram Bruxelas a definir um conjunto de novas regras que resultam necessariamente numa mudança radical dos mercados e tecnologias no âmbito dos edifícios. Com uma primeira directiva sobre os edifícios em 2002, Bruxelas aponta para a eficiência energética como forma de atingir parte dos seus objectivos. Recorde-se que os edifícios são responsáveis por cerca de 50% do consumo de toda a energia final. Uma Directiva que vai ser reforçada daqui a 1 ano com a introdução de requisitos. Por outro lado, o investimento das renováveis são a única forma que Bruxelas tem para chegar a 2020 e obter poupanças de 600 a 900 milhões de toneladas / ano de emissões de CO2 e reduzir entre 200 a 300 toneladas / ano no consumo de combustíveis fósseis. Desde logo, o investimento na ordem dos 18 mil milhões de euros ano nas energias renováveis não chega só por si. Falta definir e incentivar o desenvolvimento de melhores tipos de tecnologia renovável. É neste âmbito que é criada em 2009 a nova Directiva para as Renováveis, cuja transposição para cada Estado-Membro deverá ser assegurada até ao próximo ano.
Segundo um estudo recente da BSRIA Worlwide Market Intelligence todas esta movimentações politicas tiveram um impacto directo no mercado do aquecimento, nomeadamente nas soluções e equipamentos. A tónica da eficiência energética, a obrigatoriedade das renováveis, os incentivos fiscais a definição das tecnologias consideradas renováveis provocou grandes mudanças no mercado que começaram a ser mais visíveis em 2008. O crescimento de tecnologias alternativas de aquecimento, tais como a energia solar térmica, bombas de calor, sistemas de ventilação com recuperação de calor bem como os futuros sistemas de cogeração a gás marcaram decisivamente uma ruptura com o mercado tradicional e uma nova tendência para os próximos anos em toda a Europa.
Ainda segundo este estudo e em contraponto com o declínio do ar condicionado e equipamentos de aquecimento convencional, as bombas de calor para soluções hidrónicas (sistemas de aquecimento central, piso radiante... ) do tipo ar/água (ver artigo pág. 78), dispararam as suas vendas, ficando apenas atrás da indústria da energia solar térmica. Por outro lado e ainda no mercado da Europa Ocidental, a reabilitação térmica dos edifícios começa a ser uma prioridade, onde os incentivos começam a aparecer. E é neste mercado da reabilitação que, segundo a BSRIA, as caldeiras de condensação começam a ganhar protagonismo e são hoje uma solução de aquecimento com enormes vantagens podendo alcançar economias até 20% em relação às caldeiras convencionais. Por outro lado, começam a existir vários incentivos à sua utilização por parte de alguns países - sendo mesmo obrigatória a sua instalação, no Reino Unido e na Holanda, em novas habitações - o que fará deste segmento um mercado muito importante e decisivo para as empresas de aquecimento e de fabrico de caldeiras. O custo mais elevado deste tipo de equipamentos em relação às caldeiras convencionais é superado pelos incentivos, amortizando-se mesmo em menos de três anos.
A aceitação das bombas de calor como uma fonte de energia renovável de acordo com a nova Directiva sobre as Renováveis, REN 2009/28/EC (ver caixa), veio dar maior relevo a um crescimento exponencial destes equipamentos dentro do mercado de aquecimento na Europa Ocidental. Segundo os dados da BSRIA, também as alterações recentes na legislação alemã sobre renováveis e créditos fiscais muito atractivos em França levaram à venda sem precedentes neste mercado recente, batendo todos os registos anteriores de vendas nestes dois países. Só na Alemanha e na França, as bombas de calor tiveram, em 2008, um crescimento de 44% e 103% respectivamente. No Reino Unido, para este impulso que representou um aumento 101%, foi determinante a aceitação das bombas de calor com utilização do ar como fonte de calor sob o regime da micro-geração que tornou o mercado muito atractivo. A meta do Reino Unido para 2016 que passa pelos edifícios de emissões de carbono zero, favorece a instalação de bombas de calor eléctricas que correm o risco de se tornarem na tecnologia líder, frequentemente com potencias baixas entre os 4 e 8 kW. A contrário da França e da Alemanha onde os incentivos financeiros têm sido o principal elemento impulsionador do crescimento do mercado, a situação no Reino Unido tem sofrido alguns abanões com subsídios limitados que até 2008 eram difíceis de obter.
Noutros países como a Suécia, a Áustria e a Suíça, o cenário foi idêntico com as bombas de calor a subirem nas preferências dos consumidores. Uma realidade que contrastou com a queda das vendas das caldeiras em toda a Europa: 12% na França, 2% no Reino Unido, 8% na Itália e apenas a Alemanha apresentou resultados de crescimento na ordem dos 16%. Embora estes indicadores sejam relativos ao ano de 2008 e ainda seja cedo para "fechar" as contas de 2009, prevê-se um ligeiro abrandamento em toda a Europa motivado pela crise financeira dos mercados mundiais. A França será um dos países mais afectados, enquanto que a Alemanha e Reino Unido não irão sentir para já as consequências do abrandamento da construção que marcou o ano de 2009.
De facto, a aceitação de bombas de calor ar/água e bombas de calor geotérmicas como sistemas de energias renováveis pela União Europeia (UE) ajudou à adopção desta tecnologia em grande escala e afectou negativamente as vendas de equipamentos de aquecimento convencional, especialmente nos novos edifícios. Por outro lado um número crescente de fornecedores de bombas de calor estão a promover sistemas em que esta tecnologia fornece aquecimento ambiente, águas quentes sanitárias e também o arrefecimento para conforto no verão. A integração de sistemas de aquecimento tornou-se muito importante com os colectores solares térmicos a serem combinados com a bomba de calor como uma forma de minimizar os custos de energia para os consumidores e, ao mesmo tempo, promover uma solução renovável completa.
De facto, a corrida entre os fabricantes para desenvolverem equipamentos altamente eficientes para impulsionar as vendas levou ao aparecimento de sistemas inovadores com maiores desempenhos e funcionalidades aperfeiçoadas, que podem competir com as caldeiras, mesmo com temperaturas exteriores muito baixas. As bombas de calor para produção de água quente sanitária, muito populares na China, estão a tornar-se amplamente disponíveis na Europa, Austrália e os Estados Unidos. Estas unidades são de baixa potência (abaixo dos 3kW) e muitas vezes integradas no depósito acumulador, semelhante a um aquecedor de água eléctrico por acumulação.
Em Portugal
Por cá, a situação não é diferente do que se passa no resto da Europa. Segundo conseguimos apurar junto da AFIQ - Associação de Fabricantes e Importadores de Equipamentos de Queima, o mercado de Aquecimento em Portugal tem também vindo a sentir reduções importantes no número de equipamentos vendidos e instalados anualmente. Segundo os seus responsáveis, "os Grupos Térmicos de Gasóleo, fundamentais para o sector do Aquecimento doméstico em moradias unifamiliares, que nos últimos 3 a 4 anos, coincidentes com o aumento exponencial dos preços do gasóleo para aquecimento, viram o seu volume reduzir-se para menos de metade com a consequente redução de negócio para os instaladores e revendedores". O mesmo se passa com o mercado das Caldeiras Murais a gás, "o gerador de calor por excelência para os apartamentos em Portugal e na Europa", motivado pela crise imobiliária, onde, segundo a AFIQ, "as vendas de caldeiras descem em paralelo". Em contrapartida, é no mercado da reabilitação que os empresários portugueses apontam as suas estratégias, embora o enquadramento legal "seja claramente insuficiente e desadequado à crescente evolução tecnológica das soluções hoje apresentadas, com produtos mais eficientes, ecológicos e capazes de oferecer ao utilizador uma redução significativa da factura mensal a pagar pelo conforto que hoje já não dispensamos aliada a uma menor emissão de gases nocivos, que pode facialmente chegar a reduções de 1 ou 1,5 toneldas de CO2 equivalente por ano". Estes responsáveis alertam para que "a legislação Portuguesa possa rapidamente ir ao encontro do que se faz na Europa, e por que não olhar já aqui para os nossos vizinhos Espanhóis, que defendem a micro-cogeração e possuem planos de incentivos para a substituição das Caldeira antigas por novos modelos de Condensação, que apresentam reduções de consumo até 20% e menos emissões de contaminantes para a atmosfera". E adiantam: "é de lamentar que estas Caldeiras, ecológicas e mais eficientes, não sejam devidamente valorizadas na emissão dos Certificados Energéticos, tanto mais que a poupança no orçamento anual de uma família pode facilmente chegar a várias centenas de euros/ano, gerando prazos curtos de amortização do equipamento de 5 ou 6 anos, ou seja, com excelentes taxas de retorno do investimento"
O mercado do aquecimento europeu e mundial
Caldeiras comerciais
A investigação conduzida pela BSRIA realça que as caldeiras comerciais de condensação a gás de pré-mistura (de montagem mural e no pavimento) continuam a ser muito populares na Europa, principalmente nos edifícios de serviços (53.6% do mercado total). E apesar do mercado das renováveis oferecer uma forte concorrência para as caldeiras ainda existe um número elevado de vendas destes equipamentos. Este mercado poderá ser especialmente beneficiado pelo recente investimento que alguns países estão a fazer no sector industrial donde se espera que resulte um aumento dos projectos de edifícios comerciais e residenciais.
Globalmente, a Europa detém a maior fatia do mercado destas caldeiras comerciais (instalações em edifícios de serviços) na ordem dos 54% e apresentou um crescimento em 2008 embora o mercado na sua totalidade tenha caído 7,7%. E espera-se um uma recuperação desta área de negócio apenas para 2012. A Ásia (Pacifico) representa um segmento de 36,6%, tendo-se dado uma pequena queda gradual na dimensão do mercado. A América e a África parecem ter a menor parte de mercado 5,27% e 3,7%, respectivamente. O mercado nestas duas áreas foi um pouco incerto não se tendo registado nenhum particular crescimento ou declínio.
A China tem de longe o maior volume de vendas em comparação com qualquer outro país no mercado das caldeiras comerciais. Entretanto as vendas estão a diminuir e prevê-se uma maior queda nos próximos 3 anos. O Japão, o Irão, a Alemanha e o Reino Unido possuem um número razoavelmente elevado de vendas, embora tenham sofrido uma quebra nas vendas depois de 2008, prevendo-se uma recuperação já para 2010 e que atinjam o nível de vendas de 2008 em 2012.
Caldeiras de Condensação
As caldeiras de condensação são as mais populares no Reino Unido, que apresenta o número mais elevado de vendas comparativamente a outros países estudados pela BSRIA, prevendo que este número tenha um aumento constante à semelhança do crescimento alemão. Na Holanda e Turquia, existe um pequeno crescimento percentual, enquanto na Bélgica se prevê um ligeiro declínio.
As caldeiras de condensação murais são a solução mais adoptada na Holanda com um crescimento estabilizado. O Reino Unido apresenta números promissores após uma queda em 2009 prevendo-se que as vendas aumentem rapidamente até 2012.
A China também mostra um crescimento estável, enquanto na Polónia e na Rússia o crescimento foi muito lento. A Rússia é um país com um clima frio e muitos sistemas de aquecimento hidrónicos. Com uma população de 141 milhões, espalhada por nove fusos horários, a Rússia já tem um dos maiores mercados de equipamentos de aquecimento em todo o mundo, se bem que o potencial de crescimento ainda é enorme a longo prazo. A Rússia está a desenvolver-se para se tornar um mercado importante no aquecimento e poder ser considerada mais atractiva quando comparada com os níveis de crescimento para os mercados do Ocidente europeu. A produção média das caldeiras russas é elevada em relação à Europa Ocidental, principalmente devido à maior procura de calor nos Invernos longos e muito rigorosos, daí que a sazonalidade seja uma marca deste mercado, especialmente para as caldeiras de gasóleo e caldeiras de pavimento a gás.
Caldeiras Domésticas
O mercado total Europeu representa uma grande quota de mercado mundial (76 %) no segmento das caldeiras domésticas, seguindo-se a Ásia (18 %), a qual não parece ser afectada pela crise da economia, registando até um gradual crescimento. Embora a América e o Médio Oriente tenham uma fatia muito pequena do mercado, registaram um aumento de cerca de 5 % nos anos anteriores o qual parece vir a manter-se nos próximos 2, 3 anos. Por outro lado, a África não representa um mercado atractivo com uma quota total de 0,65 % e previsão de aumento de 1 % até 2012.
O mercado de caldeiras domésticas é o maior no Reino Unido apesar de recentemente as vendas terem vindo a diminuir, esperando-se que o ponto mais baixo seja atingido em 2010. No entanto, prevê-se que as vendas irão crescer bastante até 2012, depois dos incentivos lançados pelo actual Executivo (ver caixa).
A Rússia teve um pico de vendas em 2008 seguido de uma diminuição acentuada e tudo indica que o mercado não irá recuperar até 2011. A China apresenta um aumento constante no crescimento do mercado onde por outro lado o Japão regista um declínio constante nas vendas nos últimos anos. A Alemanha e a América permaneceram bastante consistentes em termos de vendas.
Caldeiras de Condensação Murais
O Reino Unido é, de longe, o líder de mercado em termos de vendas para caldeiras murais - a Europa tem uma quota de mercado 94.5 % preenchida em 51% pelo reino Inido - depois da queda em 2005, o mercado de caldeiras domésticas recuperou em 2006. Em 2007 todo o mercado cresceu principalmente comandado pelo segmento das caldeiras de condensação murais. Em 2008, este segmento das caldeiras de condensação representava cerca de 99 % do mercado total das caldeiras murais.
Conforme já referido estas caldeiras de condensação também são populares no resto da Europa com uma legislação que empurra para a sua utilização . No entanto, esta realidade ainda não se faz sentir na maioria dos países da Europa, onde as vendas são apenas um terço das vendas no Reino Unido.
As caldeiras de pavimento estão em declínio no mercado Italiano. Estas unidades são geralmente consideradas volumosas, pesadas e não são fáceis de instalar comparativamente às do tipo mural. Ainda assim na Europa, as vendas das caldeiras de pavimento estão a aumentar enquanto no Reino Unido o seu mercado foi mais afectado pela recessão não se esperando recuperação antes de 2011. Comparativamente, estas caldeiras têm um mercado muito pequeno na Ásia e não são muito procuradas nos Estados Unidos representando apenas 0,4 % do mercado mundial.
Reino Unido: Substituição de caldeiras com benefícios para o clima e economia
Apesar de o Reino Unido estar a sentir dificuldades para cumprir as regulamentações térmicas impostas ao nível dos edifícios, o Governo britânico está a tentar contrariar essa situação e tem levado a cabo uma série de medidas para esse efeito. Em Janeiro, o Executivo de Gordon Brown lançou um programa nacional para substituir os sistemas de aquecimento nas casas, o "Boiler Scrappage Scheme", com o objectivo de reduzir as emissões de carbono, reduzir a factura energética e preservar o emprego nas indústrias de aquecimento.
Desta forma, as mais de 125 mil casas em Inglaterra que funcionam com caldeiras com certificação G podem, através do "Energy Saving Trust", solicitar um voucher de 400 libras válido para a aquisição de uma caldeira nova, moderna e de classe A e/ou um sistema de aquecimento via fontes renováveis, como uma caldeira de biomassa ou uma bomba de calor. O programa do governo britânico já tem fornecedores e espera que outros sigam o exemplo. Com isto, o programa vai chegar a muitas mais casas e salvaguardar postos de trabalho no sector. As pessoas são aconselhadas a procurar no mercado o negócio que melhor se adequa a elas, antes de solicitar o incentivo.
De acordo com o Executivo britânico, este programa vai ajudar a preservar o trabalho de 130 mil instaladores e ajudar mais de 25 empresas de aquecimento com sede no Reino Unido a ultrapassar a crise económica. As famílias vão conseguir poupar entre 200 a 235 libras ao ano na sua factura energética e vão deixar de se emitir 140 mil toneladas de CO2/ano - o equivalente a retirar 45 mil automóveis de circulação.
Sob o benefício baixo carbono através do programa (LCBP) as bombas de calor ar/água beneficiam de uma subvenção de 900 libras esterlinas enquanto as bombas de calor geotérmicas podem beneficiar de um subsídio de 1.200 libras esterlinas.

Directiva REN 2009/28/CE
(31) As bombas de calor que permitem a utilização de calor aerotérmico, geotérmico ou hidrotérmico a um nível de temperatura útil necessitam de electricidade ou de outra energia auxiliar para funcionarem. Por conseguinte, a energia utilizada para fazer funcionar bombas de calor deverá ser deduzida do calor total utilizável. Só as bombas de calor cuja produção exceda significativamente a energia primária necessária para as fazer funcionar deverão ser tidas em conta.
Artigo 5.o: Cálculo da quota de energia proveniente de fontes renováveis
4. …
A energia aerotérmica, geotérmica e hidrotérmica captada por bombas de calor é considerada para efeitos consumo final bruto de energia proveniente de fontes renováveis em aquecimento e arrefecimento desde que a energia final produzida exceda significativamente a energia primária utilizada para fazer funcionar as bombas de calor. A quantidade de calor a considerar como energia proveniente de fontes renováveis para efeitos da presente directiva é calculada segundo a metodologia estabelecida no anexo VII.
Por cá!
Fomos saber junto de três das principais empresas de aquecimento no nosso país como estas vêem a queda acentuada do mercado tradicional, o crescimento do mercado das bombas de calor, a tendência dominante das caldeiras de condensação no mercado da reabilitação, bem como os mercados europeu e português.
Baxi Roca (Victor Júlio)
As vendas de caldeiras para aquecimento estão em linha com o mercado da construção vertical, área que enfrenta uma crise séria e que arrasta consigo inúmeros sectores de mercado, entre eles o do Aquecimento. À menor quantidade de fogos construídos alia-se a diversidade de opções para climatização e a necessidade de oferecer soluções mais ecológicas e eficientes.
Na construção vertical as caldeiras tradicionais enfrentam a "concorrência" dos Splits, Multi-Splits e VRV, mas apresentam níveis de conforto térmico no inverno muito superiores aos dos sistemas de ar condicionado. A solução de caldeira mural a gás de alto rendimento (Condensação) é a que apresentam a melhor relação de custo de utilização Vs instalação, tanto em apartamentos como em moradias unifamilares,
O mercado em Portugal está ainda dependente da nova construção, pelo que é de esperar que se ressinta mais da crise na construção do que outros mercados onde a reposição é já tão, ou mais importante, do que o mercado da nova construção.
A redução da factura do gás é a melhor notícia que qualquer família Portuguesa pode receber, quer viva num apartamento ou numa moradia com sistema solar. Comparativamente com a economia de gasto anual originada pela instalação de um sistema solar, a poupança originada pela substituição de uma caldeira convencional, gás ou gasóleo, por uma nova caldeira de condensação é incomparavelmente superior, podendo chegar a várias centenas de euros anuais.
À medida que a legislação portuguesa evolua, promovendo os produtos mais ecológicos e energeticamente mais eficientes e as caldeiras de condensação sejam encaradas como uma solução para melhorar a classificação energética das nossas habitações, seguramente que terão um forte desenvolvimento e rapidamente passarão a representar uma fatia importante das vendas de caldeiras no nosso país.
Vulcano (João Fernandes)
A queda acentuada no mercado de caldeiras convencionais é um facto, motivado a nível europeu pela introdução de directivas que promovem a utilização de equipamentos ainda mais eficientes e com baixas emissões de NOx, e a nível nacional especialmente pela quebra acentuada do sector da construção.
No que diz respeito a bombas de calor assistimos a um forte crescimento percentual deste equipamento, mas ainda não temos um segmento de volume ou dimensão.
As bombas de calor apresentam algumas vantagens, desde incluírem num único equipamento os serviços de calor e frio, funcionalidade muito útil nos países mediterrâneos, e a redução dos custos operacionais consequência do seu elevado nível de eficiência. Contudo, apresentam também algumas restrições sendo a principal o seu elevado investimento inicial, e na sua maioria não atingirem na produção das águas quentes sanitárias temperaturas superiores a 40º-50º, a não ser recorrendo a resistência eléctrica o que claramente é desaconselhado do ponto de vista de eficiência energética. Este facto é importante na prevenção da amplificação da legionella. Adicionalmente, também necessitam de mais espaço para serem instaladas.
Já o mercado das caldeiras de condensação tem um comportamento claramente distinto. Tanto a nível europeu como a nível nacional este segmento apresenta indicadores claros de crescimento. Contudo, o mercado português apresenta ainda uma dimensão reduzida maioritariamente devido a inexistência de disposições legais e à necessidade de esforço financeiro inicial elevado.
O desenvolvimento do mercado das caldeiras de condensação em Portugal encontra a sua área de actuação quer em construção nova de topo de gama, quer no mercado de reabilitação, no qual o RCCTE impõe rigorosas regras ao nível de eficiência energética para reabilitações ou ampliações com valor superior a 25% do custo de referência do edifício.
Neste sentido, as soluções orientadas para a optimização de consumos energéticos desempenham um papel fundamental na garantia de cumprimento das novas regras, sobretudo no que concerne ao aquecimento de águas sanitárias, cujo consumo energético equivale a cerca de 50% do total.
As caldeiras de condensação respondem eficazmente a esta necessidade, apresentando índices de rendimento e de aproveitamento energético largamente superiores aos das caldeiras tradicionais, e minimizando, paralelamente, as emissões de CO2 e NOx para o meio ambiente. Ao contrário das caldeiras tradicionais, a tecnologia de condensação permite recuperar uma grande parte do calor existente nos gases de exaustão, conseguindo, assim, uma maior eficiência.
Férroli - Joaquim Meneses
As vendas de caldeiras murais ou de pavimento para aquecimento aplicadas ao sector da nova construção têm vindo a cair de forma acentuada pelo efeito da crise que está instalada há bastante tempo e motivadas pelo aparecimento de outras soluções nomeadamente as bombas de calor para soluções de água ou expansão directa (splits), o que acaba por dividir o mercado. No entanto as caldeiras de condensação pelo seu elevado rendimento, serão num curto espaço de tempo uma das melhores soluções na relação custo de instalação / utilização preço.
O mercado português ainda está dependente da nova construção, pela condição de ser um mercado recente o que se sente de forma mais acentuada a crise, comparativamente com os mercados mais enraizados como os restantes países europeus.
As caldeiras de condensação serão de certeza absoluta a solução para o mercado da substituição tanto pele eficiência energética que é preponderante como meta obrigatória. Serão ainda uma aposta por parte dos fabricantes incidindo fundamentalmente neste tipo de produto como uma mais-valia do seu potencial mercado, abandonando o fabrico de equipamentos de menor eficiência, em que se venha a proporcionar aos consumidores uma redução da factura energética.

