A 3 meses de terminar o ano, a Medida Solar Térmico, que nasceu com muitos problemas vê-se agora a progredir a um ritmo importante para o crescimento do solar. Estamos apenas a 1/3 dos objectivos traçados pelo Governo e tudo indica que programa irá entrar em 2010 até esgotar o montante de 95 milhões de euros de subsídio. Depois disso, é fundamental que o Executivo de Sócrates dê continuidade a este incentivo para cumprir as metas traçadas e alavancar as estatísticas da UE, onde esta área de negócio que vale 3 milhões de euros, registou um crescimento de 60% no ano passado e é responsável por 40.000 postos de trabalho directos. Um investimento obrigatório na redução da dependência energética e promoção da sustentabilidade.
O caminho para a eficiência energética e sustentabilidade está traçado por Bruxelas e a aposta no solar térmico representa um investimento político determinante para se alcançarem os objectivos traçados pela UE: baixar 20% o consumo energético e as emissões de CO2 e aumentar em 20% as energias renováveis em 2020. Vários países da UE incluíram a obrigatoriedade do solar térmico nos edifícios residenciais e começaram a promovê-lo como uma solução inadiável rumo a uma necessária racionalização energética. Mais, em contra ciclo com as outras economias, a energia solar térmica na Europa cresceu 60% em 2008. Com a crise económica mundial que disparou em 2008 este tema ganhou ainda maior relevância no âmbito dos planos anti-crise definidos por Bruxelas. O solar térmico passou a integrar um dos eixos fundamentais com o objectivo de reduzir a dependência energética do espaço Europeu. A conjuntura nunca foi tão favorável ao desenvolvimento do solar térmico.
É neste contexto que são disponibilizadas verbas e o Estado Português lança o Programa Solar Térmico 2009, da iniciativa do Ministério da Economia e da Inovação, válido até final de 2009 com uma comparticipação estatal que atinge 50% do investimento total. Neste programa, o Estado pretendia atingir, ainda este ano, 65 mil habitações através da instalação de 300.000m2 de colectores, quase 4 vezes mais do que terá sido o mercado no ano de 2008. Este investimento aponta para benefícios fiscais e acesso ao crédito bancário por parte das famílias (ver infografia). Numa segunda fase, esta medida foi estendida e criadas condições para o alargamento do Programa Solar Térmico (em vigor desde Março de 2009) a instituições particulares de solidariedade social (IPSS) e a clubes e associações desportivas com utilidade pública. Os clientes podem recorrer a esta media através do sistema bancário para marcação de um estudo prévio, ou através do contacto directo para as marcas aderentes que encaminham o processo através do Pmelink, um intermediário responsável pela contratação dos fornecedores de acordo com as regras definidas pelo Estado. Recorde-se que a forma como o sistema foi montado, alegadamente à pressa e de uma forma precipitada, acabou por privilegiar as primeiras marcas a entrarem e prejudicar um conjunto de muitas PME´s que ainda hoje esperam pela aprovação do Pmelink para fazerem parte das entidades fornecedoras de equipamentos, embora o sistemas já esteja a funcionar com uma grande parte de marcas certificadas. Uma situação que foi sendo corrigida ao longo deste ano mas que no entender do mercado do solar térmico, deverá ainda ser aligeirada e mais clara a bem do consumidor. É que o consumidor deve ou Seia desejável que fosse já esclarecido sobre a marca a contratar (ver infografia) quando se dirige ao banco de forma a não ser influenciado por uma solução que poderá não ser a melhor para o seu caso. Nessa altura, sugerimos uma pesquisa rigorosa antes do momento da compra (ver quadro "o que deve ter em conta no momento da compra")
E é sobretudo para o consumidor que esta medida apresenta as maiores vantagens. Uma solução chave na mão (instalação e manutenção incluídas) que permite adquirir os melhores equipamentos por metade do preço, reduzir a factura energética em cerca de 30%, um benefício fiscal de 30% do custo do investimento do primeiro ano e, sobretudo, a contribuição para um melhor ambiente e uma menor dependência energética do país.
Ultrapassados os percalços iniciais, a adesão a este programa tem sido positiva embora ainda longe das metas traçadas por Sócrates. Até finais de Setembro, o Programa Solar Térmico 2009 já foi utilizado por 20 mil habitações num investimento de mais de 65 milhões de euros, o que corresponde mais de 65mil m2 de colectores instalados, num investimento global de 65 milhões de euros, comparticipado pelo Estado em cerca de 50%. Segundo o Governo, estes resultados "equivalem a triplicar a área de colectores solares instalados anualmente no parque residencial existente, significando o aumento da actividade económica global no sector em mais de 20% face ao ano anterior, duplicando a actividade em apenas dois anos". Ainda segundo os dados apresentados pelo Governo, existem 6262 instaladores certificados contra os 2.362 do final de 2008 e 5 novos fabricantes nacionais de equipamentos. Segundo as nossas contas, neste momento estamos a 3 meses de terminar o subsídio do Estado e a perto de 1/3 dos objectivos anunciados em Fevereiro. Em Dezembro, segundo a Apisolar, "por este andar é possível chegar aos 35.000 sistemas (120.000m2) até ao final deste ano só com a Medida Solar Térmico para o cliente particular". Ou seja, embora o impulso tenha sido maior nos últimos 2 meses e se preveja um ritmo semelhante até ao final do ano, o Estado já está comprometido a estender a medida por 2010 até se esgotar o valor mas e depois?
A importância da continuidade
Numa altura (2008) em que o mercado do solar térmico na UE e na Suíça registou um crescimento de 60%, atingindo 3,3 GWth e 4,75 mil m2 de área de colectores instalados, as estratégias com vista à massificação e crescimento do solar não podem ser pensadas a curto prazo. De acordo com a ESTIF - European Solar Thermal Industry Federation, a experiência indica que as políticas de apoio desempenham um papel muito importante no crescimento dos mercados nacionais e podem constituir um factor decisivo para o crescimento, particularmente se tiverem uma orientação a longo prazo, forem bem concebidas e bem implementadas. Segundo esta federação europeia, "uma estratégia para o solar térmico deve definir e procurar satisfazer objectivos de desenvolvimento claros. Só assim é possível ultrapassar uma das deficiências mais vulgares das políticas de apoio do Estado: a falta de continuidade. As políticas orientadas para um objectivo a mais longo prazo correm menos riscos de ser frequentemente interrompidas". De acordo com estes especialistas, "o apoio do tipo pára/arranca não cria a confiança necessária aos intervenientes do mercado. Tanto da parte da oferta como da procura, os responsáveis pela tomada de decisões têm tendência para adiar as decisões relativas ao investimento, adoptando uma atitude de esperar para ver. Este tipo de atitude até pode prejudicar o mercado se, por exemplo, os instaladores sentirem que o investimento que fizeram em formação solar não valeu a pena, ao constatarem que o plano de incentivos financeiros foi cortado repentinamente. Têm de ser criadas condições estáveis e positivas ao longo de vários anos de modo a abrir caminho para investimentos na capacidade de produção, na formação, no marketing e distribuição e para mobilizar recursos na área da investigação e desenvolvimento".
Em 2008, assistimos a um impressionante desenvolvimento no mercado: as soluções de aquecimento e arrefecimento com energia solar térmica estão a ganhar terreno num número cada vez maior de países. Embora grande parte do mercado esteja actualmente concentrado em casas uni- e bi-familiares, a procura por parte de empresas de construção, promotores de edifícios de escritórios e outros utilizadores comerciais tem vindo a aumentar significativamente. Para a ESTIF, existem países ainda bastantes atrasados na dinamização desta solução e Portugal é um deles mas o crescimento é generalizado e para esta federação, são 3 as razões para este incremento:
- Os dirigentes políticos tomaram consciência de que o gás, o petróleo… deixarão de ser opção a longo prazo: estão cada vez mais caros (mesmo tendo em conta a descida actual provocada pela crise económica), a produção de petróleo atingiu o seu máximo e está prestes a começar a diminuir, o fornecimento de gás para a Europa está demasiado dependente de um único fornecedor.
- Os regulamentos para a construção exigem cada vez mais a utilização de energias renováveis e o solar térmico oferece uma solução com uma boa relação preço-qualidade. O que teve início em Barcelona em 1999 está a começar a ser prática comum em países, regiões e municípios por toda a Europa. Em 2009, a Alemanha foi o último país a exigir o aquecimento renovável nos edifícios novos.
- A tecnologia do solar térmico encontra-se largamente disponível e tem o apoio de um grande número de empresas, desde as pequenas empresas de instalação até aos principais fabricantes de equipamentos de aquecimento, o solar térmico é actualmente utilizado para todo o tipo de aplicações.
Recentemente, a ESTIF encomendou um estudo sobre o "Potencial do Solar Térmico na Europa", que examina o crescimento que pode vir do sector de aquecimento e arrefecimento solar. Foram conduzidas pesquisas detalhadas em cinco países representativos e os resultados foram depois extrapolados para os 27 Estados-Membros. No âmbito do cenário mais ambicioso (entre três), o "Cenário de Política e de I&D Elevados" - que considera como premissas mecanismos de apoio financeiro e político substanciais, medidas de eficiência energética, bem como actividades de pesquisa e desenvolvimento intensivas - a energia solar térmica representaria até 2020 6,3 % da meta de 20 % de energias renováveis, com uma taxa de crescimento anual do sector de 26 %. Isto representaria 0,8 m² da capacidade instalada per capita e 9% da procura de calor de baixa temperatura na Europa.
Por cá e segundo a Apisolar era desejável que a Medida continuasse em funcionamento e o sistema que enquadra a atribuição dos incentivos fosse ajustado... De facto, foi finalmente dado o tão esperado impulso para que o mercado cresça e o solar térmico passe a ser uma solução desejada pelas pessoas. Segundo a ESTIF, "trocamos a dependência dos combustíveis fosseis por emprego directo", é o slogan desta associação junto dos governantes. Entre os fabricantes, distribuidores, projectistas e instaladores, o mercado apresenta-se hoje com um potencial de crescimento enorme e prevê-se uma duplicação dos valores nos próximos anos, caso continue a existir uma efectiva aposta politica nesta área
Certificação energética
No âmbito da politica energética europeia com vista à diminuição das emissões de CO2 na atmosfera, eficiência energética nos edifícios e redução da dependência energética europeia, Portugal actualizou os seus regulamentos na área da climatização e térmica dos edifícios. O RSECE e o RCCTE passaram ainda a ser enquadrados num Sistema de Certificação Energética dos Edifícios e Qualidade do Ar Interior (SCE) gerido pela a Agencia para a Energia (Adene) cujos objectivos passam pela poupança de energia e preservação do meio ambiente. Para o efeito, o SCE promove e aplica a atribuição de classificações e a emissão dos respectivos certificados energéticos com base no trabalho dos peritos qualificados que avaliam os edifícios e residências. Hoje, todos os edifícios estão abrangidos pelo sistema e em inícios de Outubro, cerca de três mil edifícios de serviços do sector público e privado obtiveram já certificação energética, segundo informação da Direcção-Geral de Energia e Geologia. Destes, aproximadamente 88% respeitam a edifícios existentes.
Mas outra característica deste recente quadro regulamentar, aponta para a obrigatoriedade do solar térmico, com destaque para RCCE no sector residencial. Desde 2006 que é obrigatória a instalação de colectores solares térmicos em todos os edifícios residenciais novos com uma exposição solar adequada. Até dia 13 de Outubro e segundo dados da Adene, cerca de 94% dos novos edifícios certificados têm sistema de colectores solares térmicos instalados para produção de águas quentes sanitárias, representando em termos numéricos cerca de 37,8 mil edifícios repartidos por 36,1mil edifícios de habitação e 1,6 mil de edifícios de serviços. No que respeita a edifícios existentes a percentagem é menor em cerca de 5% dos edifícios com certificação, ou seja, 6,5 mil edifícios é que têm instalados sistemas solares térmicos, dos quais 6459 são de habitação e os restantes 91 são serviços
Neste momento os objectivos da UE são mais ambiciosos e a Directiva da eficiência energética em edifícios está em reformulação. A União Europeia importa 51% do gás que consome e, ao longo dos últimos dois anos, o preço da energia para consumo doméstico aumentou substancialmente: 15% na electricidade, 21% na gasolina e 28% no gás natural. Por outro lado, os 160 milhões de edifícios da UE são responsáveis por 40% do consumo energético primário da Europa.
A reformulação da directiva relativa ao desempenho energético dos edifícios, proposta pela Comissão Europeia em Novembro de 2008, tem por objectivo ajudar os cidadãos a melhorar a eficiência energética dos seus lares. Prevê-se que a nova directiva permita reduzir 5% a 6% do consumo energético e 5% das emissões de dióxido de carbono, em toda a União Europeia, até 2020. Por outro lado e ainda no âmbito desta reformulação, todos os edifícios que forem construídos na Europa comunitária a partir de 1 de Janeiro de 2019 deverão ser energeticamente auto-suficientes e reduzirão a zero as emissões de gases nocivos da atmosfera, como o dióxido de carbono (CO2). Esta ambicioso objectivo prevê que todos os imóveis novos gerem a energia que consomem e que as suas emissões sejam nulas.
O mercado na Europa
Segundo conseguimos apurar, o mercado do solar térmico na UE (e Suíça) registou um crescimento de 60%, atingindo .3,3 GWth de nova capacidade (4,75 mil m2 de área de colectores instalados), com destaque para o salto do mercado alemão cuja dimensão mais do que duplicou. Mas a liderança continua a ser da Áustria (per capita) embora com uma taxa de crescimento de 24%. A procura nos países de menor expressão também aumentou. Prevê-se que as taxas de desenvolvimento variem muito por toda a Europa em 2009. Por um lado, alguns países já foram atingidos fortemente pela crise financeira: a Espanha e a Irlanda viram o boom do seu sector imobiliário quebrar abruptamente.
Como funciona um sistema solar térmico

Um sistema solar para uma habitação pode ser definido como um equipamento que aquece a água a partir do sol e tem 2 componentes principais:
Os colectores - captam a radiação solar e transforma-a em energia térmica
Os acumuladores - são um depósito que armazena a água quente até esta ser necessária.
Os colectores e os acumuladores podem estar ligados com ou sem bomba circuladora
O colector recebe e transforma a radiação solar em calor que é transferido para um fluido transportador que o transporta até ao acumulador. Este, devidamente isolado, conserva esta energia (calor), de modo a fornecê-la só nos momentos de utilização. Ainda para complemento da sua temperatura, as AQS podem passar por um esquentador, caldeira... antes da sua utilização. Assim, os sistemas solares estão preparados para garantirem o fornecimento de calor mesmo nas sequências de dias sem sol através de outros sistemas de apoio auxiliar: esquentador, caldeiras, bombas de calor...
Os sistemas solares térmicos transformam a radiação solar directamente em energia térmica para o aquecimento de águas ou outros fins. Por outro lado, os fotovoltaicos, convertem a energia solar directamente em corrente eléctrica

Em conjunto, os primeiros seis países representam actualmente 84% do mercado do solar térmico europeu (para efeitos de comparação, estes países representam apenas 54% da população da Europa e 61% do seu PIB). A Áustria é o líder incontestável no que se refere a vendas internas por habitante - em 2008, foram instalados 42m2 por 1.000 habitantes. Com 26 m2 por 1.000 habitantes, a Alemanha está quase ao mesmo nível que a Grécia, que atingiu os 27m2.
Fonte: ESTIF
Tecnologia

Sistemas em termossifão (kit´s ou sistemas compactos): É um sistema simples, compacto e de fácil instalação que integra o depósito acumulador por cima do colector. Pode estar integrado através de um módulo solar, num sistema de apoio a gás (esquentador, caldeira ou termoacumulador)...

Sistemas de circulação forçada: Nestes sistemas existe uma grande flexibilidade de colocação dos colectores nos telhados. O depósito pode ser instalado dentro de casa minimizando as perdas de calor e facilita a integração com sistemas de aquecimento ou outros...
Nota: Estes sistemas podem ainda ser apoiados por resistência eléctrica que compensam o aquecimento das águas nos períodos sem sol mas cuja utilização é desaconselhada na regulamentação térmica em vigor.
Planos, tubo de vácuo e CPC´s
Os chamados colectores planos são os mais generalizados no nosso país. Em conjunto com os CPC´s representam cerca de 92% do mercado. Os outros 8% vão para os colectores com tubo de vácuo.
O tubo de vácuo pode ser uma boa solução na integração com o ar condicionado ou em algumas aplicações industriais. Estes colectores exigem maiores cuidados na instalação e manutenção, já que podem atingir temperaturas muito altas. Neste tipo de tecnologia existe uma variação muito grande de preços, de rendimentos e durabilidade pelo que se aconselha a uma escolha atenta. A China é o maior fabricante destes equipamentos.
Os planos selectivos são os mais comuns. Apresentam uma menor variedade de preços e rendimento mas a maior facilidade de instalação e manutenção pode ser decisiva na liderança. A tecnologia deste tipo de colectores está mais estandardizada e as diferenças entre eles depende mais do tipo de instalação e menos do rendimento.
Existem ainda os CPC - concentrador parabólico composto que pelas suas características de fabrico (produto nacional) exploram a possibilidade de se atingirem temperaturas mais elevadas com maior rendimento através do recurso a espelhos concentradores, mas mantendo as mesmas características de instalação e funcionamento dos colectores planos selectivos.
Algumas aplicações

Para além da produção das águas quentes sanitárias (AQS) para inúmeros fins, os sistemas solares podem assumir outras funções de um modo integrado:
- Apoio ao aquecimento central com radiadores ou piso radiante;
- Aquecimento de piscinas;
- Apoio a sistemas de ar condicionado;
- Existem ainda as inúmeras aplicações de água quente solar na indústria e serviços...
AQS - Módulos solares e aquecimento:
Os sistemas solares térmicos devem ser utilizados e integrados com uma segunda fonte de calor (esquentador, termoacumulador, caldeira...) funcionando como um sistema híbrido que é automaticamente accionada para compensar a falta da primeira fonte de calor - o sol. Esta solução pode ainda ser combinado com as tradicionais formas de aquecimento das casas - aquecimento central, piso radiante...
O ar condicionado - bombas de calor (calor e frio)
A integração do solar térmico com as bombas de calor para climatização e água quente sanitária faz-se através do acumulador. O aquecimento da água do depósito acumulador faz-se sempre que exista disponibilidade do sistema solar podendo ser complementado pela bomba de calor. No Verão este depósito funciona apenas para a preparação da água quente sanitária, pois o arrefecimento fica a cargo da bomba de calor a funcionar como máquina frigorífica. Trata-se do solar assistido por bomba de calor e neste caso não há arrefecimento solar: o frio vem exclusivamente da máquina frigorífica.
A bomba de calor é um equipamento que extrai calor duma fonte (ar exterior, solo, água de um lago, de um rio ou da toalha freática), normalmente a uma temperatura mais baixa, transportando-o, a uma temperatura mais elevada (ar ambiente, água para aquecimento, ou outro fluido intermédio).
Arrefecimento Solar
Em desenvolvimento mas já no mercado nas suas primeiras versões, está a tecnologia que faz o arrefecimento das casas utilizando directamente como fonte de energia o sol, ou seja o aproveitamento térmico da energia solar para fazer frio. Utiliza-se o solar térmico para produzir água quente e essa água quente (energia térmica) é utilizada como fonte de calor de uma máquina que faz frio. Pretende-se que o solar seja utilizado para aquecimento no inverno e arrefecimento no verão. Trata-se de uma tecnologia muito importante e em grande desenvolvimento mas que ainda está bastante cara.
Como definir um bom rendimento num sistema solar?
Os melhores sistemas são aqueles que tiverem para o mesmo "input", o maior "output", isto é, os que para a mesma energia disponível (radiação solar) por m2, conseguirem dar mais energia de saída (mais quantidade de água quente fornecida para o mesmo volume de armazenamento).
Algumas vantagens do solar térmico:
- Poupança até 70% na conta das AQS.
- Em média, a energia solar disponível no Inverno fornece cerca de 30 a 40% das necessidades de AQS. Quando não há sol suficiente, o sistema de apoio entra em funcionamento.
- Os sistemas solares térmicos são feitos para durar cerca de 20 anos com poupança de energia, cuidando do ambiente. Contudo, necessitam de uma manutenção preventiva anual, para que durem o tempo previsto sem perderem eficiência.
- Uma habitação com painéis solares térmicos tem melhores condições de obter um bom resultado numa certificação energética do que uma equivalente mas sem colectores.
O que deve ter em conta no momento da compra:
- Consultar mais do que uma empresa fabricante ou distribuidor;
- A curva de rendimento tem de ser adaptada à utilização, sobretudo no que toca ao nível de temperaturas;
- Válvulas e outros acessórios hidráulicos, tubagem e isolamento - devem ser de qualidade "solar", i.e. à prova de altas temperaturas e radiação UV para aqueles que ficam no exterior.
- Deve ser dada especial atenção à concepção do sistema e respectivos princípios de funcionamento: dimensionamento dos vários componentes e sua disposição, concepção do circuito primário, seu caudal, sistema de controlo….
- Para que um sistema solar cumpra os seus objectivos, 50% do seu sucesso depende da qualidade dos equipamentos e os outros 50% dependem de uma correcta instalação - Confirmar que os instaladores possuem certificado de aptidão profissional (CAP) reconhecido pela Direcção Geral de Energia e Geologia
- Solicitar os comprovativos de certificação dos equipamentos e confirmar se a marca dispõe da chancela CERTIF ou Solarkeymark - Os colectores certificados oferecem maiores garantias.
- Pedir uma descrição do sistema;
- Avaliar os custos globais (equipamentos, componentes e instalação)
- Conhecer as garantias dos equipamentos e componentes do sistema;
- Assegurar um contrato de manutenção anual e respectivas previsões de encargos (incluído na Medida Solar Térmico 2009 até 31 de Dezembro).
- Em relação ao acumulador veja bem o tipo que está a comprar e se a manutenção que contrata tem em conta todos os aspectos que garantem a sua durabilidade; saiba qual é a que lhe garantem e compare com as alternativas e respectivos custos
O solar térmico português em números:
- 500.000 m2 é o número aproximado do total de colectores instalados até Janeiro de 2009;
- 70% foi o crescimento em 2008 em comparação com o ano anterior;
- 30.000 m2 de área de colectores instalados em 2006;
- 52.000 m2 de estimativa de área colectores instalados em 2007;
- 86.000 m2 de estimativa de área colectores instalados em 2008;
- 100 milhões de euros era quanto valia o mercado do solar térmico em Janeiro de 2009;
- 250 milhões de euros é quanto valia o mercado do solar térmico integrado nas AQS em Janeiro de 2009
- Mais de 100.000 m2 de estimativa de área colectores a instalar em 2009 antes da atribuição do incentivo do Estado - "Medida Solar Térmico 2009;
- 95 milhões de euros é o valor do subsídio de José Sócrates que está a entrar no mercado desde Fevereiro de 2009
- 65 mil habitações e 300.00m2 de colectores são os objectivos desta medida para 2009;
- Até finais de Setembro, a MST já foi utilizada por 20 mil habitações onde foram instalados mais de 65 mil m2 de colectores a que corresponde um investimento global de 65 milhões de euros comparticipado em cerca de 50% pelo Estado. Existem ainda 6262 instaladores certificados contra os 2.362 do final de 2008.
Objectivos PNAEE
- Residencial: 417.410 m2 / 2010; 1.113.093 m2 / 2015
- Serviços: 102.215 m2 / 2010; 272.575 m2 / 2015
Fontes: Apisolar, ADENE, PNAEE
Sabia que?
- Em 2008, o mercado da energia solar térmica (na UE e na Suíça) cresceu mais de 60 % e para 3,3 GWth de nova capacidade instalada, ou seja, para uma área de colectores de 4,76 milhões de m2
- O total da energia recebida no planeta terra via radiação solar é, em 1 ano, superior a 10.000 vezes o consumo anual de energia bruta da humanidade;
- Portugal tem cerca de 3.000 horas de sol por ano e está muito acima da média da Europa que apenas tem cerca de 1.750 horas anuais;
- A Alemanha é o país que mais investe, seguido da Grécia, Áustria, França, Itália e Espanha;
- Na Grécia e Áustria instalam-se muito mais colectores solares do que cá, a um ritmo de 300.000m2/ano e 190.000 m2/ano respectivamente;
- A Grécia já tem instalado mais de 5,5 milhões de m2 de colectores solares. As crianças gregas quando desenham uma casa, para além do telhado já incluem os painéis solares;
- Bruxelas definiu metas para 2020 para a redução das emissões de CO2 de 20%, aumento da eficiência energética de 20% e penetração das energias renováveis de 20%;
- José Sócrates quer, em 2020, que as energias renováveis representem 31% do consumo final de energia.
Sobre a Medida Solar Térmico 2009 (MST)
Com base neste incentivo apresentado em Fevereiro de 2009, o Governo definiu como objectivo para 2009 a instalação de 250.000 m2 de colectores solares térmicos em mais de 65.000 habitações, a criação de 2.500 postos de trabalho, entre 100 e 150 por fornecedor na área da produção de painéis e outros equipamentos; O investimento total estimado é de 225 milhões de euros...
... e o que deve saber enquanto particular:
- Medida válida até 31 de Dezembro de 2009 referente à instalação na residência do contribuinte (apenas 1 sistema por casa e por contribuinte) em casas usadas, uma vez que nas novas a obrigatoriedade do solar térmico já está contemplada desde 2006;
- Serviço "Chave-na-Mão": financiamento, equipamento e instalação; Manutenção e garantia do equipamento assegurada durante 6 anos;
- Comparticipação imediata do Estado no valor fixo de € 1.641,70;
- Benefícios fiscais de 30% do custo do investimento em sede de IRS com máximo de €796;
- Facilidade no processo de encomenda; 100% de financiamento em Crédito Individual/Pessoal com condições especiais: Euribor a 3 meses + 1,5%; Só pagará juros após instalação do equipamento;
- Possibilidade de pronto pagamento;
- Os equipamentos custam cerca de metade, face ao preço normal de venda ao público.
- Cerca de 20% de poupança na factura das AQS! (resultado combinado entre o custo do sistema solar com subsídio reflectido na mensalidade do empréstimo e o gás que ainda se gasta) - Com esta medida, um sistema bem dimensionado pode atingir poupanças de 70% da energia necessária para aquecimento das águas em nossa casa. Quer isto dizer que o que se paga por mês (só durante o período do empréstimo e até à amortização do sistema solar - 4 a 6 anos) da conta das AQS, é 20 % inferior ao que inicialmente se pagava. Depois daquele período a redução da conta das AQS passa a ser 70%.
- Esta medida contempla apenas a aquisição de sistemas em termossifão (de 200l e 300l) ou circulação forçada (de 300L). Estes sistemas permitem poupar até 70% dos custos para preparar a água quente...
- Através da instalação de um módulo solar, fica garantida a entrada em funcionamento do esquentador (qualquer um) sempre que necessário para compensar a falta de energia solar necessária, gastando apenas o gás necessário "em cima" da água já pré-aquecida para atingir a temperatura pretendida.
- Tempo de instalação de um Termossifão: 48h. Tempo de instalação de um Circulação Forçada: 72h.
- Habitações unifamiliares em prédios - É possível utulizar a MST nestes casos se não houver obstáculos técnicos tal como a distância entre o apartamento e o sistema solar - e desde que o condomínio o aceite, pois está a invadir uma zona comum - terraço ou telhado.
- Todos os equipamentos abrangidos pela Medida estão devidamente certificados pela SolarKeymark ou CERTIF
- Não é aconselhada a instalação de colectores solares térmicos dos modelos propostos na MST como apoio ao aquecimento central: A dimensão dos equipamentos propostos no presente programa não é suficiente para dar resposta a um sistema de aquecimento central. Se desejar investir na solução conjunta (Instalação Solar + Aquecimento Central) poderá sempre recorrer a um projectista solar (não incluído neste programa, e que será o técnico mais indicado para fazer a referida interligação dos dois sistemas)...
- Os sistemas solares térmicos que fazem parte da presente campanha adaptam-se a todos os sistemas de apoio, que recorram ao gás natural ou a qualquer outro...
- A instalação é da responsabilidade do fabricante, cabendo a este a contratação de um instalador certificado, de acordo com a bolsa de instaladores própria.
- Os clientes podem escolher a marca desde que abrangida pela Medida
Fonte: Mais informações sobre a medida e marcas aderentes em www.paineissolares.gov.pt