Farinha Mendes investigador do LNEG (ex-INETI) e especialistas no solar térmico, fala-nos sobre as novas tecnologias, os materiais, o caminho do solar...
As pessoas já estão mais sensibilizadas com o solar térmico...
E começam a deixar de confundir os colectores solares térmicos com os painéis fotovoltaicos... O nível de informação que as pessoas têm já é muito diferente. Já vemos na televisão, na imprensa etc. vários anúncios sobre o solar onde se fala especificamente em colectores solares térmicos. Este é um fenómeno muito recente. Tudo isso ajuda as pessoas a familiarizarem-se com as tecnologias e vantagens do solar.
Existem outras mudanças em termos de qualidade por onde ainda se possa caminhar?
Os chineses vão evoluir em termos da qualidade dos seus produtos e vai haver uma maior oferta de tubos de vácuo competitivos e com preços interessantes. Anteriormente e para o nosso caso estes produtos eram caros e não faziam sentido. A partir de agora prevê-se que seja diferente e as pessoas poderão passar a pensar no que realmente interessa que é o preço do quilowatt-hora (kWh) de facto produzido. Aliado evidentemente aos aspectos da durabilidade e que no caso dos tubos de vácuo é um aspecto extremamente importante. Na verdade a manutenção do vácuo nos tubos de vidro tem de estar garantida durante duas décadas, pelo menos, para que a comparação com os colectores estacionários, planos ou não e sem vazio, seja correcta.
O actual esquema de incentivos aos colectores solares começou por privilegiar os equipamentos com termossifão e alargou mais tarde o seu âmbito para o sistema com circulação forçada, mas aplica-se apenas às habitações existentes. Quer comentar?
Inicialmente a decisão política previa aumentar e promover a utilização do solar térmico a nível doméstico. A nossa realidade aponta para uma maioria clara de pequenas moradias em termos de habitação. Aquilo que me foi comunicado é que, não havendo dinheiro para apoiar as várias soluções, foi decidido para este ano seleccionar este tipo de apoio a estas soluções.
Mas não havia só essas...
E por isso é que nestes casos está fora de causa um grande condomínio. A ideia foi a de avançar para as pequenas moradias unifamiliares, o que não quer dizer que no próximo ano não se apoie outro tipo de situações. A expectativa é a de se aumentar enormemente a área de colectores instalados no país.
Estamos num patamar diferente em temos de qualidade...
Estamos mas continuam a fazer-se más instalações. Era importante que no país houvesse uma estrutura ou uma entidade que fizesse esse acompanhamento e monitorização. O Observatório, para além da estatística, deveria ter funções mais alargadas como auditorias regulares a algumas instalações... e que inclusivamente pudesse gerir e dar resposta às reclamações que vão aparecendo. Um particular que tem um problema numa instalação, não pode contratar o INETI para fazer uma auditoria porque isso seria extremamente dispendioso. Mas o Estado português ao promover o solar térmico, devia também promover este tipo de acompanhamento para dar confiança ao mercado. Não chega dizer que os colectores são certificados e que os instaladores têm o CAP.
Voltando às tecnologias, o arrefecimento solar já é uma realidade ou ainda está em construção?
Está em construção porque as tecnologias estão a ser desenvolvidas. Está a começar a avançar-se para a produção em série de soluções adaptadas a vários tipos de aplicações. O que existe neste momento em grande desenvolvimento são sistemas ou máquinas de produção de frio com energia solar adaptadas a aplicações de baixa potência, ou seja a aplicações domésticas.
O mercado tem ainda que acompanhar esta tecnologia e investir nela?
Estas soluções de baixa potencia estão a desenvolver-se tecnologicamente e várias empresas estão a investir bastante.
E estão a apostar? Vêem uma oportunidade de mercado?
Sim e na sua maioria são empresas ligadas aos colectores solares porque é uma maneira de rentabilizar e aumentar a utilização de energia solar sobretudo no sul da Europa. A ideia é a de utilizar os colectores solares para aquecimento no inverno e para arrefecimento no verão.
Desse sistema fazem parte as várias unidades terminais de ar condicionado...
Este sistema produz água arrefecida que depois é distribuída pelas unidades terminais que podem ser ventiloconvectores, tal como numa instalação com um chiller convencional.
No caso das bombas de calor ár/água que estão no mercado, qual a diferença em termos de custos para esta solução (arrefecimento solar)?
O arrefecimento solar é ainda quase 10 vezes mais caro. Basta olhar para uma máquina austríaca que já está aí no mercado, que tem uma potência de 12kW e é vendida a cerca de 17.000€. Uma empresa portuguesa está a desenvolver uma máquina de 8kW, de menos potência mas que ainda é um protótipo e provavelmente ainda será difícil colocá-la no mercado por menos de 15.000€. Ainda há um grande caminho a percorrer. O sistema global em si (aquecimento e arrefecimento solar) em comparação com a tecnologia tradicional ainda não é uma solução economicamente interessante...